Pelotas está cinza, não que isso seja novidade, na maior parte do ano é assim mesmo, mas isso não me conforta, essa cor, esse vento assoviando na janela, o frio que voltou, afeta o humor.
Não que me torne mau-humorada, só não fico feliz, o finalzinho da semana, deixou transparecer uma nesga de verão, dias e noites mais quentes = pessoas mais alegres descontraídas.
Como o clima nos afeta, já faz meses que estamos encolhidos (diminuindo assim a superfície de troca com meio ambiente) e com isso ombros e pescoço doloridos, a pele se ressente desse frio e da ação do vento, ficamos mais introspectivos, é bem difícil ser amigável, como dar um abraço efusivo em alguém?? se pra isso precisamos tirar as mãos dos bolsos, abrir os braços e congelar, nem beijos são agradáveis, os narizes gelados e as vezes molhados, encostando nas buchechas. Um aumento de peso considerável, levando-se em conta toda a roupa necessária para enfrentar a intempére. Até os chamegos com o ser amado ficam comprometidos, mãos gélidas, pés idem, sair de um lugar para outro nem pensar!! tudo gelado...
Esse dia me fez pensar nisso, porque até tinha tido a ingênua felicidade de que isso tudo tinha acabado!!!
Que os dias longos, ensolarados, amarelos, brilhantes, coloridos, onde as pessoas soltam seus pescoços e ombros (para aumentar a superfície de contato com o meio ambiente) livram-se de luvas, cachecóis, mantas, toucas, sobretudos e congêneres, para aderir vestidos, saias, bermudas, camisetas, tudo claro, colorido, os sorrisos reaparecem porque agora, o rosto não está mais congelado, os abraços e beijos retornam as nossas vidas, agora não mais acompanhados de uma reclamação tipo, ai que frio!!
Andar nas ruas e ver pessoas sentadas na frente das suas casas, ou nos bares e restaurantes ou sorveterias ou em qualquer lugar que tenha uma corrente de ar, o convívio aumenta, estamos mais disponíveis.
Eu quero isso já, agora, imediatamente!! sei que não vai adiantar vou ter que esperar como todo mundo pelo final dessa estação, mas podia ser bem mais rápida a passagem.
Elocubrações de uma mente afetada pelo cinza...
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